domingo, 17 de março de 2013

Corredor Universitário - Mudança melhorou transporte coletivo

17/03/2013 - Jornal Opção

Entregue há cerca de dez meses, a obra do Corredor Uni ver sitário tem sido alvo de reclamações por parcela dos goianienses. A insatisfação, contudo, diz respeito principalmente ao uso do transporte individual. A uma pergunta lançada nas redes sociais sobre como está o trânsito na Avenida Universitária — trecho entre a Praça Cívica e a Praça da Bíblia –, após a realização das obras, percebe-se como se dá essa insatisfação por parte dos internautas, via Facebook: Vannessa Machado: "Andar de carro por lá ficou pior do que já era."

Darlan Braz Oliveira: "Trafegar de carro nesse perímetro, por incrível que possa parecer, piorou e muito. Já havia manifestado esse descontentamento antes."

Rosana Melo: "Melhor passar por vias alternativas."

Rute Guedes: "Tiraram praticamente todas as árvores das calçadas para dar espaço para aquele tanto de radares."

Marco Vieira: "Nos horários de pico continua ruim para os carros. Mas para os ônibus percebe-se facilmente a melhora. Fora dos horários de pico eu não tenho do que reclamar. Trânsito tranquilo tanto pra ônibus quanto para carros. Esses corredores são um primeiro passo para qualquer cidade que queira melhorar o seu trânsito."

Contudo, há quem analise a obra pelo ponto de vista de melhoria do transporte coletivo — principal objeto da mudança —, levando em consideração que alguns internautas são usuários desse tipo de deslocamento e outros fazem uso dos dois meios. Mas entre eles também não há consenso sobre a melhora do trânsito no local. Há quem diga que o deslocamento entre as praças Cívica e Universitária — onde se encontra o maior gargalo de locomoção —, por exemplo, melhorou para os ônibus, mas piorou para o transporte individual, como alguns apontam melhora para ambos.

Luiz Parahyba: "Andar de ônibus ficou melhor, eu pego coletivo duas vezes na semana lá. Melhorou, mas alguns motoristas ainda não aprenderam a circular na via. Além disso, estou sentindo falta dos ciclistas."

Dhiego da Silva Andrade: "Quando saio para beber eu vou de coletivo e a velocidade aumentou sensivelmente. Concordo que para os carros a situação ficou realmente pior, até porque em Goiânia, infelizmente, temos ruas naturalmente pequenas e com o corredor a situação ficou mais tensa. Não existe mais espaço para tantos carros em nossa cidade de ruas estreitas. Porém, se pensarmos na questão de coletividade, melhorou. E mesmo que eu adore dirigir no conforto do meu carro, tenho que dar o braço a torcer, porque matematicamente um número muito maior de pessoas se beneficiou com esse sistema de corredor para ônibus. É a tendência mesmo, haja vista que Goiânia tem que melhorar muito e em pouco tempo seu sistema de transporte público. Eu, que uso tanto o carro como o ônibus, entendo que nosso transporte coletivo é lento, é caro, é desconfortável e definitivamente não é confiável, mas a obra em si [do corredor universitário] tem um conceito ótimo, que é facilitar o trajeto dos ônibus. Porém, para que tenha efeito, é necessário que seja expandido para toda a cidade, aumentada a frota de coletivos, etc.

É horrível ter que ficar esperando inseguro o ônibus, pois o horário varia, ele quase sempre vem lotado. Mas em longo prazo, se tomadas as medidas adequadas, pode vir a se tornar um meio eficaz, rápido e seguro."

Cleber Lemes Brito: "Dirigir lá é um pouco confuso às vezes, principalmente nos pontos de conversão. Mas o trânsito (ao menos nos horários que trafeguei) estava bom. A via está bem sinalizada e limpa, e a área útil bonita, iluminada e funcional."

Diego Stefani: "Vendo pelo lado da coletividade, é de se ficar satisfeito com o transporte coletivo na via. Está rápido e eficiente. Enquanto as pessoas acharem que a 'sua santidade', o carro, for a melhor alternativa, que esse egoísmo da mobilidade é a melhor opção, teremos críticas. As pessoas não têm consciência de que as vias são limitadas, não podem crescer mais. A melhor alternativa sempre foi e será o transporte coletivo. Mas, para uma cultura automobilística solitária que temos, o convencimento da coletividade é difícil. Onde cabem quatro carros, cabendo no máximo 16 pessoas (mas que andam com quatro pessoas mesmo), um ônibus passa com 60 pessoas. Devemos pensar coletivamente."

Carlos Eduardo Sobreira Lessa: "Trabalhei por sete anos na PUC Goiás [Pontifícia Universidade Católica de Goiás], minha mãe ainda trabalha. Passo lá diariamente, e melhorou muito com o corredor! E estou falando como motorista, por isso não sei o ponto de vista de quem usa o transporte coletivo, mas acho que para eles também melhorou. O que acontece é que o ser humano tem mania de sempre achar um culpado, e não assume os próprios erros. O goianiense até hoje não se acostumou a fazer o balão na quadra para fazer conversões à esquerda. Os motoristas também não usam direito o corredor. Só é pego pelos radares quem está errado. No lugar e velocidade certos eu nunca vi ninguém ser multado."

Adriane Vinhal: "As pessoas que circulam com veículos privados ficam chateadas sem motivo, a intenção é fazer com que menos veículos circulem. Menos poluição, menos acidentes, menos estresse. Goiânia precisava destes corredores há bastante tempo. Isso é sustentabilidade! Apoio os corredores assim como também a implementação do VLT."

Dados do consórcio Rede Metropolitana de Transporte Coletivo de Goiânia (RMTC), responsável pelo gerenciamento do Corredor Universitário, apontam que houve um ganho na velocidade dos ônibus que fazem o trajeto Praça Cívica-Praça da Bíblia. De acordo com as estatísticas do consórcio, nos horários de pico, a velocidade dos ônibus girava em torno de 10 km/h, mas agora a velocidade da frota fica entre 16 km/h e 18 km/h. Assim, um ônibus que antes demorava dez minutos para andar da Praça Cívica para a Praça Universitária, agora faz o trajeto em cinco minutos. Um ganho de aproximadamente 70% na velocidade.

Para comprovar os dados, a reportagem observou o trânsito no local entre a segunda-feira, 11, e a quinta-feira, 14, entre as 18 e às 19 horas. O repórter desceu de carro do Centro ao Setor Universitário, demorando sete minutos entre a Rua 10 e a Praça Universitária, e estacionpou. Voltou ao ponto de ônibus para tomar alguns e fazer o trajeto compreendido pelo corredor. A observação foi de que, em média, os ônibus nesse horário cumprem os aproximadamente dois quilômetros de trajeto em cinco minutos, levando em consideração os obstáculos que ainda existem, mesmo com a proibição do tráfego de carros e motocicletas pelo corredor preferencial dos ônibus.

No primeiro dia de observação, a reportagem presenciou um acidente envolvendo um micro-ônibus (citybus) e um carro que estava entrando no estacionamento da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO). O motorista do coletivo, Florismar Matos, que aguardava a chegada da Agência Municipal de Trânsito (AMT), informou que desde que as obras do corredor ficaram prontas, esses acidentes se tornaram rotineiros, uma vez que na hora do rush há sempre filas de carros que aguardam vaga no estacionamento da universidade e, mesmo com as obras estruturantes realizadas pela instituição, os carros ainda ficam na faixa que deveria ser preferencial para o transporte coletivo.

"O corredor preferencial, feito dessa maneira, à direita da pista, só fez as coisas ficarem piores, pois nós motoristas sempre temos que mudar de faixa para desviar dos carros que ficam aguardando vaga no estacionamento e nessa mudança de faixa os acidentes começaram a se tornar frequentes", declarou o motorista com descontentamento. O mesmo disse o assistente de tráfego Renato Martins Correia. Para ele, esse tipo de acidente se tornou rotina. "Estou atendendo esse tipo de ocorrência quase diariamente e não vai mudar", disse.

Nos dias seguintes, a reportagem notou que é frequente os ônibus encontrarem obstáculos, quase sempre representados por carros que fazem conversão à direita, que é permitido pela legislação. Fora isso, como as faixas de pedestre ficaram distantes dos pontos de ônibus, os pedestres se arriscam atravessando a rua no meio dos carros, o que também atrapalha o andamento do trânsito, como aponta a estudante de Nutrição Esther Luana. "Pego ônibus aqui muito antes dessas obras e vejo que não foi bom eles descerem as faixas de pedestre, pois as pessoas não vão até elas para atravessar a rua e o fazem em qualquer lugar, o que também gera congestionamento", diz a estudante.

E essas falas, apontadas tanto por internautas quanto pessoas entrevistadas in loco, se repetem. Para o motorista Daniel Alencar, é complicado fazer com que os carros precisem pegar a faixa do ônibus, o que acaba gerando acidentes envolvendo os dois veículos. "Eu mesmo presenciei um acidente semelhante. O trânsito está mais difícil para os carros", relata. Já o usuário de transporte público Dário Soares diz que, embora o trânsito tenha melhorado, nos horários de pico ainda há congestionamento. "Eu tenho aula aqui às 17 horas e preciso pegar um ônibus. Nesse horário, o trânsito melhorou, mas nos momentos de pico não muito, o que tem gerado muito congestionamento."

Cleide Fátima, que mora no Jardim das Oliveiras e trabalha na Praça Tamandaré, utiliza os ônibus todos os dias e faz o trajeto completo do Corredor Universitário. Segundo ela, o transporte público no corredor melhorou bastante. "Era um engarrafamento tremendo aqui nesse via, o que agora não tem. O grande problema é na praça, que trava um pouco", relata. O mesmo diz a estudante Ma rineide Oliveira Cunha. "Me lhorou o transporte coletivo aqui, mas para quem anda de carro está terrível."

Entretanto, fica claro que a obra do Corredor Universitário foi realizada para priorizar o transporte coletivo, tendo em vista a Política Nacional de Mobilidade Urbana, que entrou em vigor em abril do ano passado e tem como uma de suas diretrizes priorizar o desenvolvimento do transporte coletivo público sobre o individual motorizado. Por isso, o projeto é fazer com que Goiânia tenha outros pontos de corredores preferenciais para o transporte coletivo, caso da obra já anunciada na Avenida T-63.

Fonte: Jornal Opção

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